Profilaxia da Raiva

Silvia Bardella Marano

Diretora da SBIm Regional São Paulo

Apesar da redução na ocorrência da raiva nos últimos anos no Brasil, ela continua sendo um importante problema de saúde pública, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, pela altíssima gravidade e alto custo na assistência, profilaxia e controle da doença. A raiva é uma infecção transmitida ao homem a partir de um reservatório animal, através da inoculação do vírus presente na saliva e secreções do animal infectado. O vírus da raiva é neurotrópico e sua ação no sistema nervoso central causa uma encefalite aguda, decorrente da multiplicação viral nos neurônios.

A transmissão ocorre pela mordedura e mais raramente pela arranhadura e lambedura de mucosas e/ou pele lesionada. Apresenta letalidade próxima de 100 % pois não há tratamento comprovadamente eficaz para a doença e a imunidade só é adquirida pelo uso da vacina e/ou imunidade passiva pelo uso do soro.

Atualmente no Brasil, o morcego representa o principal responsável pela manutenção da cadeia silvestre, enquanto o cão em alguns municípios, continua sendo importante fonte de infecção. A literatura médica mostra que o risco de transmissão da raiva pelo morcego é sempre elevado, independente da espécie e da gravidade do ferimento. Por isso, todo acidente com morcego deve ser classificado como grave.

Existem outros reservatórios silvestres como macaco, guaxinim, quati, animais de produção no meio rural como bovinos, equinos, suínos entre outros, cujo monitoramento permite vigiar a circulação do vírus da raiva.

A profilaxia pré exposição é indicada para pessoas que devido sua atividade profissional correm risco de exposição ao vírus e a profilaxia pós exposição é indicada para pessoas que acidentalmente se expuseram ao vírus.

As vacinas produzidas em cultura de células (diplóides humanas, células vero, células de embrião de galinha etc), consideradas mais seguras e mais potentes, antes disponíveis apenas nas clínicas privadas, também passaram a ser disponibilizadas em toda rede pública desde 2003. Aspecto importante é que a vacina não possui contraindicações como gravidez, lactação, doença intercorrente ou outros tratamentos devido a gravidade da doença.

Eventos adversos graves são raros com as vacinas em cultura de células e o esquema profilático nunca deve ser interrompido a não ser que a observação do animal agressor permita descartar que estivesse infectado.